Desde Terça-Feira pelas 14h que os meus dias nunca mais foram iguais.
A minha vida deu uma volta sem que o esperasse ou sequer sonhasse.
Nesse dia, cheguei de almoço e vi no meu telefone fixo o nº de telemóvel da Joana (Ju) várias vezes sinalizando que me tinha ligado várias vezes, e vi o mesmo no meu telemóvel que tinha ficado na secretária.
Pensei que queria dizer-me algo ,mas estava longe do que ela me iria dizer, no minuto seguinte quando me liga e ouço:
"Mãe... caí estou numa ambulância a dar entrada aí, vem ter comigo á Urgência..." e o seu choro entrecortava esta frase.
Saí da minha sala a correr e disparo pela urgência, sem bata ou identificação, e a segurança a dizer algures: "Não pode passar"... ouvi e sei que disse " È a minha filha que vem na ambulância!!"
E ali estava ela ensanguentada, pequenina naquela maca imensa... a chorar...
Atrás de mim veio a Ana e a Clara que também não sabiam bem o que nos esperava e estas duas amigas e colegas duma vida, foram a minha companhia e apoio desde o primeiro minuto até hoje.
Depois de a conseguir questionar e ela falar, fiquei sem fôlego para pensar, agir ou reagir...
Ela dizia entre soluços:
"Não me lembro de muita coisa mãe... Eu fui ao Continente na hora de almoço e sei que vi flashs e as imagens a ficarem estranhas, tentei sair dali e depois deixei de ver, a cara a puxar para a direita e não sei o que aconteceu, acordei com os srs. do INEM a porem-me na ambulância. Pedi para me trazer para aqui porque tu trabalhas cá". - e as lágrimas corriam pelos seus lindos olhos verdes.
As minhas lágrimas que teimavam sair, continham-se, os meus afagos e beijos e o "Shhh está tudo bem, a mãe está aqui e ficará tudo bem..." era apenas o que a Joana via e sentia.
Esse dia terminou no Hospital às 23h, depois de análises, sutura à cabeça na pequena cirurgia, TAC, avaliações... e horas, muitas horas de espera, hospitais públicos é algo que só quando precisamos podemos avaliãr.
Durante este tempo, chegámos á conclusão que a Joana estivera 1h inanimada, também vimos que a Joana não se recordava de nada desse dia, apenas depois de acordar do desmaio e o que aconteceu antes de desmaiar.
A companhia das minhas duas amigas e da minha filha Susana que depressa se juntou a nós, foram o bálsamo que me ajudou a suportar tudo, mais aconchegada e menos vazia e só.
Certezas apenas uma, a TAC estava bem, mas a avaliação na Neurologia tinha carácter de Urgência, numa consulta com todos os meios de despite, para sabermos o que de facto sucedeu.
No dia seguinte as melhoras não existiam, o vomitar era constante, o desfalecer, a tontura permanente, e o estado prostrado e apático era notório, aquela não era a minha Ju, era uma Ju que me assustava e me deixava de coração apertado...
Nessa noite fomos de urgência com ela para o Hospital da Luz, a Susana veio buscar-nos porque até conduzir eu não conseguia, e depois de avaliada ( demorámos apenas 1hora nesse hospital) nada encontraram e recomendaram repouso e reforçaram a marcação urgente da consulta de Neurologia.
Tanta coisa, tanta aflição, tanta dúvida, tanto temor, um sufoco que jamais vivi...
Ontem marquei consulta de Neurologia, e na 4ª feira será avaliada e farão os estudos necessários para se saber o que aconteceu, o que está a acontecer e o que pode vir a suceder...
Para já tenho muitas perguntas sem respostas, muitos medos escondidos, e sorrisos para a Ju quando o coração chora sem parar...
Para já tenho FÉ, mas pergunto-Lhe sempre "Porquê a minha filha?"
Para já tenho medo....
Luisa