terça-feira, novembro 17, 2009

Isto não é um apelo, é um desabafo

Não sei se é um sinal da crise, ou se é moda (porque quando um faz todos repetem), o facto é que todos os dias de manhã há imensa gente a deglutir os seus pequenos almoços no combóio.

Não adianta mudar de carrugem ou horário.

Lá vem uma a sorver iogurte liquido, outra a trincar um mega bolo, e a de hoje (Oh Deus!!!) abre um saco plástico e de lá sai a sandocha de queijo (e se cheirava, o malvado) e entre o restolhar do saco, as trincas dela no pão e ointenso cheiro a queijo , logo pela manhã, deu-me volta ao estomago!

Eu gosto de queijo, que fique claro, eu gosto de iogurtes, eu gosto de bolos e mega bolos, mas ou no café, ou no recesso do meu lar, ou quando chego ao emprego, antes de começar a trabalhar, sim que estar à secretária de bochecha cheia não é nada bonito!

Ah já sei, vão dizer que sou uma elitistazita de merda e que estou contra quem come no combóio, digam, digam, que eu nem replico!

Mas não é nada disso!

Se têm fome comam, mas não junto de quem viaja.

O combóio é de todos, como o ar:)

Vamos lá ver se nos organizamos!

Isto não é um apelo, é um desabafo!

Luisa

2 comentários:

pontorouge disse...

Eu não tenho nada contra quem come em público, desde que não seja nada que tenha cheiro muito forte.

Pelo modo como escreveu, desconfio que sejas de Portugal. Aqui no Brasil se vende muito milho cozido na rua. E o cheiro vai longe. Eu sempre fico danada quando alguém está a comer milho (também já estou quase uma portuguesa, viu?) no metrô. Mas, confesso envergonhada, certo dia saí do trabalho faminta e depareime com um carrinho de milho cozido. Não resisti. Fui comendo o dito a viagem toda. Ah, mas foi por um motivo de força maior, vai... rs

beijo rouge

Dani

Madá disse...

cada vez mais se vive uma vida atrapalhada, atropelada, embrulhada. Não temos tempo, não nos organizamos, não amamos. vivemos a vida ao atacado, tudo de roldão, embolado e repentino. a mesa do cafe é o ônibus do trabalho, o e mail abreviado é a cartinha para os amigos dos quais já não podemos desfrutar a companhia, queremos correr, economizar tudo: tempo, dinheiro, palavras, gestos. Money, money, money, money, já dizia a música. Na correria nem percebemos a bagunça, às vezes, poderíamos topar com um jacaré no meio da praça, que nem 'registraríamos' a informação. Onde foi parar a "elegância" dos gestos, a moderação, o respeito ao espaço público? Misturou-se tudo num liquidificador urbano em tempos de modernidade? Acho que sim... Somos uma espécie em extinção.
Ou quem sabe em vias de sermos tragados também, pela voracidade do tempo fugidio.