quinta-feira, maio 21, 2009

Retalhos da vida

Há uns anos atrás, (já nem sei bem há quantos... sei que na época pagávamos em escudos...) eu estava a precisar de trocar de carro, urgentemente.
Estava a dar problemas e eu sabia que mais algum tempo comigo o arranjo seria superior ao valor do carro.
Falei com ele (na época ele não era como hoje...) que com um ar indiferente e meio arrogante disse que não tinha nada a ver com isso, aliás como eu não partilhava o meu carro, se quisesse outro que me "virásse"...
Aquela conversa doeu, até porque ao longo deste casamento eu sempre tive de me "virar" quando algo mais era preciso, e trabalhar em fins de dia, cumular part-time, conjugando a minha actividade profissional, nesta instituição, cuidar da casa e zelar pelas meninas. Tudo isto era para mim tão natural como adormecer estafada e acordar para mais uma luta.
Não dei prosseguimento à conversa, que se previa ir terminar em mais uma estafante discussão, e apenas disse, "Muito bem... eu vou comprar o carro, ahh e novo claro.!"
Ele riu com desdenho e eu furiosa dizia para mim: "Vou comprar e ponto!"
No dia a seguir liguei a um amigo, que tem imensos contactos na área da saúde, e sempre que eu precisei lá me dizia quem precisava de secretariado em fim de dia, e sempre resolvi as minhas necessidades.
Falei com ele, expliquei e marcámos para eu ir ter com ele ao local onde era Director na época para conversarmos melhor.
Dois dias depois lá fui, e depois de falarmos ele disse-me que tinha uma vaga para mim lá...
Eu fiquei no ar, trabalhar com ele foi um desafio sempre, voltar a isso era duplamente bom, pelo que iria fazer e pela forma como sempre nos démos bem, tudo iria ser menos penoso tendo de trabalhar num final de dia.
Colocou apenas um senão em Agosto teria de trabalhar todo o mês a tempo inteiro, uma vez que a Secretária da da Srª Profª (a Presidente da Instituição) iria de férias, e propôs que para me integrar começásse em fim de dia na semana seguinte. Estávamos em inicio de Julho.
Aceitei sem exitar, e saí com uma certeza, não ia ter férias iria trabalhar cerca de 10h por dia, mas ia conseguir!
Em casa convoquei uma reunião familiar e informei da decisão, do acordo feito, e de que tudo iria mudar a partir desse dia.
A mãe não ia mais cozinhar e todos ficarem na sala a ver tv, porque antes das 23h a mãe não estaria em casa, a mãe não ia apanhar tudo o que andava espalhado, porque iria dormir mal chegásse, a mãe estaria SEMPRE disponivel para assuntos das FILHAS, e se tivesse que faltar aos compromissos assumidos esporadicamente, faltaria para lhes assegurar tudo o que sempre lhes assegurei.
Ah e pela primeira vez a mãe ficaria em Lisboa e todos iriam de férias sem ela, a meio de Agosto no feríado de 15 Agosto a mãe ia ver as meninas.
As meninas tinham na época entre os 16 e os 13 anos respectivamente.

"Ah e quanto a ti (falando para ele) vais ter de ser tu a fazer o que sempre fiz, e já agora fica sabendo que a proposta financeira aliada ao desafio profissional, excedeu as minhas expectativas, ainda bem que me disséste para me "virar..."
E sorri tranquila.
Reinou silêncio, olhares trocados mas nada havia a fazer, eu já tinha decidido.
O trabalho era diferente, mas realizava-me, o que ganhava era de facto muito agradável e o mês de Agosto foi voando, enquanto eu ia estabelecendo contactos com o meu banco para um financiamento de forma a adquirir o carro que eu queria, um Saxo azul metalizado 5 portas!
Falei com stands e lá decidi por um, aprovaram-me o crédito e em Setembro, disse-lhe:
"Queria que viésse comigo ao Stand X, ver o carro que vou comprar..."
Perguntas muitas respostas as necessárias.
No dia que saí do stand naquele carro, eu estava como diria a Vó Chica "com uma peninha no cu e eu voava"!
E olhando de soslaio e malvada só disse:

"Então comprei ou não comprei um carro novo? Nunca me desafies..."
Três anos depois o carro pago, uma filha com o Curso Técnico Profissional Gestão/Informática e a outra a ingressar na Faculdade....
Acabaram os part times até hoje.
Hoje digo eu: "Quem quiser que se vire..."
Episódio que me marcou até hoje, e decidi partilhar nem sei bem porquê, sei que o recordei na viagem da manhã até aqui...
Beijinhos
Luísa

3 comentários:

Quase nos 50 disse...

Sim senhor!
Novo visual, da minha cor preferida (dizem que é a minha cor...)
Amiga este episódio da sua vida apenas demonstra que quando queremos muito algo, tudo fazemos para o alcançar.
Sem andar a chorar-se pelos cantos, armada em coitadinha.
Uma mulher de armas!
Agora fiquei com uma pulga atrás da orelha........parece-me que já passou alguns amargos de boca ...
Mas se entretanto tudo "mudou" fico feliz por si.
Bjs grandes, grande mulher!

mjf disse...

Olá!
Grande Mulher...asim é que se mostra de que somos feitas :=)
Por estas e por sees tu...a Lu é que eu te admito :)

Beijocas

Madá disse...

Gostinho bom, né...parabéns!respeito é bom e a gente adoooorrrraaaaa.
bjo